sábado, 16 de abril de 2011

Fase 1 - Medicamentos


Estou no final da primeira fase da FIV: as injeções!

Meus exames ficaram prontos e meus níveis hormonais indicaram que eu precisaria de mais medicação do que o normal para ser estimulada a produção de folículos. Segundo o médico, os níveis de FSH estavam perto do limite superior para a fase folicular, só que ainda era o terceiro dia do ciclo quando o sangue foi colhido. Diante disso, optamos por tomar Menopur 75u.i. ao invés de medicações com base em citrato de clomifeno.

As injeções seguiram essa posologia (lembrando que a posologia é de acordo com as características de cada mulher e sua resposta à estimulação!)

1o DC - sem medicação
2o DC - 225 u.i de Menopur (3 ampolas)
3o DC - 225 u.i de Menopur
4o DC - 150 u.i de Menopur (2 ampolas)
50 DC - 150 u.i de Menopur
6o DC - 150 u.i de Menopur
7o DC - 150 u.i de Menopur
8o DC - Primeiro ultrassom - detectados 9 folículos - 150 u.i de Menopur + 1 ampola de Cetrotide
9o DC - 150 u.i de Menopur + 1 amp. Cetrotide
10o DC - Segundo ultrassom - detectados 10 folículos crescendo bem - 150 u.i de Menopur + 1 amp. de Cetrotide
11o DC - Terceiro ultrassom - os 10 folículos crescendo, marca-se punção para segunda-feira - 75 u.i Menopur (1 amp.) + 1 cetrotide
12o DC - 75 u.i Menopur + 1 amp. Cetrotide e à noite 22h 1 amp. de Ovidrel
13o DC - Azitromicina (via oral)
14o DC - Punção

As injeções não foram muito tranquilas. No começo fui indo bem. Não sentia dor e conseguia aplicar sem muitos problemas. Apliquei na barriga, como vi num video do youtube.


Mas quando foi minha 4a injeção, não sei porque, ela doeu. E a partir daí comecei a sentir vertigem todas as vezes que ia aplicar. A sorte foi que a partir daí o próprio médico aplicava depois dos ultrassons. Quando tive que aplicar duas de uma vez, resolvi comer alguma coisa antes, e voi lá! Não tive vertigem! Deus ajudou! rsrs

Minha barriga está cheia de marcas roxas. Não muito grandes, mas que deixam a região dolorida o tempo todo. Meus seios estão muito doloridos e enormes e vejo o muco elástico e tempo todo! Lembrando que estou no último dia de medicação.

À noite tomarei minha última injeção. O sentimento é de alívio por ter passado essa fase e felicidade por eu ter sido forte o suficiente para enfrentá-la. Agora, é torcer para que as outras etapas sejam tão bem sucedidas como esta. Estou confiante!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Preparações para a FIV


A tentativa de engravidarmos naturalmente não obteve êxito. Minha ovulação parece bem incerta. Mas mesmo com ela sendo clara no gráfico de temperatura, e mesmo tendo relação no dia da ovulação, eu vejo a mesma cena se repetir no final do ciclo como se fosse um pesadelo recorrente. O sangue acompanhado de mal estar e dor física, me parece a morte dos meus mais secretos sonhos. E o amor que tenho guardado para esse ser que ainda não se materializou, tem que novamente ser contido, represado, para não me deixar enlouquecer.

Sempre tive amores não correspondidos. Meu filho é o maior deles.

Fomos ao médico mais uma vez. Cansada de tudo! E recebemos a indicação para a FIV - Fertilização in Vitro. E mais uma etapa se inicia nessa busca pela felicidade. Se ser mãe já é por si só uma missão, conseguir sê-la é a parte mais árdua.

Sem discutir valores, pegamos a receita para os exames preparatórios. Temos uma poupança e iríamos tentar o programa acesso. Porém, uma pessoa muito querida nos deu uma recomendação. Procurar o Dr. Carlysson na clínica Unifert, pois lá eles faziam a FIV de baixo custo, ou simplificada.

A FIV simplificada é um procedimento relativamente novo, em que se diminuiu o medicamento, escolhendo aqueles que são nescessários para produção de poucos folículos. Se na FIV convencional normalmente se produz até 20 folículos, a FIV convencional raramente chega a seis. No entanto, isso não chega a ser uma desvantagem, já que só é recomendável que no máximo três embriões sejam transferidos. Então, estimula-se os ovários através de injeções e medicação oral (bem menos injeções do que a FIV convencional). Quando os folículos estão maduros, colhe-se e em laboratório coloca-se os óvulos em contato com os espermatozóides, até que se formem os embriões. Mais tarde os embriões são transferidos para o útero. Se faz repouso e toma-se medicação oral ou vaginal para manter o útero com o endométrio adequado a fixação do embrião.

Apesar de ser um procedimento extremamente minuncioso, o embrião pode não fixar-se no útero.

A FIV convencional aqui no Espirito Santo custa de 15000 a 18000 reais. Cada transferência de embriões congelados (TEC) custa 3.000 reais. Já a FIV simplificada custa 4.500 reais em média e geralmente não produz embriões excedentes. Por ser mais barata e menos agressiva, e ainda, por produzir os mesmos resultados por transferência da FIV convencional, escolhemos essa opção. Se não der certo, podemos tentar mais algumas vezes.

Hoje fiz os exames que o médico pediu. Exame de sangue para investigar possíveis doenças que possam interferir no sucesso do procedimento. Para minha surpresa, o resultado só sairá dia 23 de março, ou seja, serão quase dois meses de espera. Se esperar uma semana para a menstruação vir já foi torturante, isso será inimaginável. Preciso urgente desviar minha mente para outras coisas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ida ao médico


Consulta confusa. O Médico não soube dizer se a taxa de 3% de formas normais significava impossibilidade de gravidez. Disse para tentarmos até dezembro e depois se não acontecer, partimos para uma inseminação ou fertilização. Bem, é o que eu vou fazer!

Esse mês está muito complicado. Meu gráfico de temperatura basal está muito confuso. Não sei se vou ovular esse mês. Espero só que eu não entre de novo na fase negra da Síndrome dos Ovários Policísticos! Afe... difícil. Tô cansada. Mas acho que a luta está chegando no fim. De um jeito ou de outro.

sábado, 28 de agosto de 2010

Refazendo o espermograma


Quatro meses se passaram depois da cirurgia dele. Hora de refazer o espermograma. Sim... e foi refeito. Apresentou melhora em vários parâmetros como motilidade e vitalidade dos espermatozóides, no entanto houve uma piora na morfologia. Antes da cirurgia havia apenas 7% de formas normais. Agora são 3%. Mesmo que os outros parâmetros tenham melhorado, isso inviabiliza qualquer chance de gravidez. É claro que existem aqueles casos que contradizem todas as expectativas, mas não vou depositar todas as minhas esperanças num milagre. Preciso viver a realidade, por mais cruel que ela seja. Sim, posso tentar a fertilização in vitro, mas não tenho condições financeiras para tal.

Semana que vem temos médico. Dependendo da fala dele, dou o assunto como encerrado. E também o blog, que acredito que não faça muito sentido. Sentido faz eu tentar viver com a idéia de nunca ser mãe.

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Etiqueta da Infertilidade


Eis aqui um texto que li, e que achei correto. Postarei na íntegra como foi me passado! Abraços a todos!


"Guia publicado anos atrás pela National Infertility Association (http://www.resolve.org/) e, depois, reproduzido pelas "Amigas do Parto" (http://www.amigasdoparto.org.br/). É uma espécie de "manual de etiqueta" da infertilidade. Algumas das regras básicas:

1 - Não diga a eles para relaxar
Todo mundo conhece alguém que teve problemas para engravidar, mas que finalmente conseguiu logo que ela "relaxou". Casais que conseguem engravidar após alguns meses de "relaxamento" não são inférteis. Por definição, um casal não é diagnosticado como infértil até que tenha tentado sem sucesso engravidar por um ano completo. Comentários como "apenas relaxe" ou "por que vocês não fazem uma viagem" criam ainda mais estresse para o casal infértil, especialmente para a mulher. Ela sente que está fazendo alguma coisa errada, quando, na verdade, há uma boa chance de que haja um problema físico que a esteja impedindo de engravidar.

2 - Não minimize o problema

A falha em conceber um bebê é uma jornada muito dolorosa. Os casais inférteis estão cercados de famílias com crianças. Estes casais vêem seus amigos terem dois ou três filhos, e vêem estas crianças crescerem enquanto voltam para o silêncio de suas casas. Estes casais vêem toda a alegria que uma criança traz para a vida de uma pessoa, e sentem o vazio de não serem capazes de experimentar a mesma alegria.

3 - Não diga que há coisas piores que poderiam acontecer

Nestes mesmos termos, não diga a seus amigos que há coisas piores que poderiam acontecer do que o que eles estão passando. Quem é a autoridade final sobre qual é a "pior" coisa que poderia acontecer a alguém? É passar por um divórcio? Ver alguém querido morrer? Ser estuprada? Perder um emprego?

4 - Não diga que eles não foram feitos para ser pais

Uma das coisas mais cruéis que alguém já me disse foi: ‘Talvez Deus não queira que você seja mãe". Quão inacreditavelmente insensível é insinuar que eu seria uma mãe tão ruim que Deus achou melhor me "esterilizar divinamente". Se Deus estivesse no ramo da esterilização das mulheres no plano divino, você não acha que ele preveniria as gravidezes que terminam em abortos? Ou então não esterilizaria as mulheres que terminam por negligenciar e abusar de seus filhos? Mesmo que você não seja religioso, os comentários do tipo "talvez não seja para ser" não são reconfortantes. A infertilidade é uma condição médica, não uma punição de Deus ou da Mãe Natureza.

5 - Não pergunte porque eles não tentam a FIV (Fertilização in vitro)

As pessoas freqüentemente perguntam, "Por que você s simplesmente não tentam a FIV?‘ da mesma maneira casual como perguntariam "Por que você não tenta comprar numa outra loja?" Há muitas razões pelas quais um casal escolheria NÃO ir por este caminho. Aqui estão algumas delas.
- A FIV é cara e com baixas possibilidades
- A FIV é fisicamente difícil
- A FIV traz questões éticas
Um casal que escolha passar pela FIV tem um caminho difícil e caro pela frente, e eles precisam de seu apoio mais do que nunca. Os hormônios não são brincadeira, e o custo financeiro é imenso. Seus amigos não estariam escolhendo esta rota se houvesse um caminho mais fácil, e o fato de estarem dispostos a suportar tanto é mais uma prova do quanto desejam se tornar pais de uma criança. Os hormônios tornarão a mulher mais emotiva, então ofereça seu apoio e mantenha suas perguntas para você.

6 - Não brinque de médico

Uma vez que seus amigos estejam sob os cuidados de um médico, o médico fará inúmeros testes para determinar porque eles não conseguem engravidar. Há muitas razões pelas quais um casal não consegue engravidar. Aqui estão algumas delas:
. Trompas de Falópio bloqueadas
. Cistos
. Endometriose
. Baixos níveis hormonais
. Baixa contagem de esperma de "formas normais"
. Baixo nível de progesterona
. Baixa contagem de espermatozóides
. Baixa Mobilidade dos Espermatozóides
. Paredes uterinas finas

7 - Não seja grosseiro

É horrível que eu tenha que incluir este parágrafo, mas alguns de vocês precisam ouvir isso ¬ não faça piadas grosseiras sobre a posição vulnerável de seus amigos. Comentários grosseiros do tipo "Eu doarei o esperma‘ ou ‘Tenha certeza de que o médico usará o seu esperma mesmo para a inseminação‘ não são engraçados, e apenas irritam seus amigos.

8 -Não reclame da sua gravidez

Esta mensagem é para as mulheres grávidas ¬ apenas estar ao seu redor já é muito doloroso para suas amigas inférteis. Ver sua barriga crescer é um lembrete constante do que sua amiga não pode ter. A não ser que a mulher com problemas de infertilidade planeje passar o resto de sua vida numa caverna, ela deve encontrar uma maneira de interagir com mulheres grávidas. Compreenda as emoções de sua amiga infértil, e dê a ela a permissão de que precisa para ficar feliz por você, enquanto ela chora por ela mesma. Se ela não conseguir segurar seu bebê recém nascido, dê tempo a ela. Ela não está rejeitando você ou o bebê; ela está apenas tentando trabalhar a dor que sente antes demonstrar a sincera felicidade que sente por você. O fato de que ela esteja disposta a sentir esta dor para celebrar a chegada de seu novo bebê fala muito sobre o quanto a sua amizade significa para ela.

9 - Não os trate como se fossem ignorantes

Por alguma razão, as pessoas parecem pensar que a infertilidade faz com que os casais se tornem irrealistas sobre as responsabilidades de ser pais. Eu não entendo a lógica, mas muitas pessoas me disseram que eu não me importaria muito com um filho se eu soubesse a responsabilidade que estava envolvida em ser mãe. Vamos encarar ¬ ninguém pode saber realmente as responsabilidades envolvidas em ser pais até que sejam, eles mesmos, pais. Isto é verdade quer você tenha conseguido conceber após um mês ou dez anos. A quantidade de tempo que você passa esperando por este bebê não influencia na sua percepção de responsabilidade. Mais ainda, as pessoas que passam mais tempo tentando engravidar têm mais tempo para pensar nestas responsabilidades. Elas provavelmente também já estiveram perto de muitos bebês enquanto seus amigos iniciavam suas famílias.

10 - Não insista na idéia de adoção (ainda)

A adoção é uma maneira maravilhosa de casais inférteis se tornarem pais. Entretanto, o casal precisa resolver várias questões antes de estarem prontos para se decidir pela adoção. Antes que eles possam tomar a decisão de amar o "bebê de um estranho", eles precisam primeiro passar pelo luto do bebê que teria os olhos do papai e o nariz da mamãe. Os assistentes sociais que trabalham com adoção reconhecem a importância deste processo de luto. Você precisa, de fato, superar esta perda antes de estar pronto para o processo de adoção. O processo de adoção é muito longo, e não é uma estrada fácil. Por isso, o casal precisa ter certeza de que pode abrir mão da esperança de um filho biológico e que pode amar uma criança adotada. Isto leva tempo, e alguns casais jamais poderão chegar a este ponto. Se seus amigos não puderem amar um bebê que não seja o deles, então a adoção não é a decisão mais acertada para eles, e certamente não é a decisão mais acertada para o bebê.

11 - Deixe que eles saibam que você se importa com eles

A melhor coisa que você pode fazer é mostrar aos seus amigos inférteis que você se preocupa com eles. Mande cartões. Deixe-os chorar em seu ombro. Se eles são religiosos, deixe que eles saibam que você está rezando por eles. Ofereça o mesmo apoio que você ofereceria a um amigo que acabou de perder um ente querido. Apenas o fato de saberem que podem contar com você diminui o peso da jornada e faz com que eles saibam que eles não vão passar por isto sozinhos.

12 - Apóie a decisão deles de parar com os tratamentos

Nenhum casal pode suportar tratamentos de infertilidade para sempre. Em algum ponto, eles vão parar. Esta é uma decisão agonizante para se tomar, e envolve ainda mais dor. Uma vez que o casal tenha tomado a decisão, simplesmente o apoie. Não os encoraje a tentar novamente, e não os desencoraje da adoção, se esta for a opção deles. Uma vez que o casal tenha atingido esta resolução (que seja viver sem filhos ou adotar uma criança), eles poderão finalmente encerrar este capítulo. Não tente abri-lo de novo."

domingo, 13 de junho de 2010

Varicocele


Esse ano meu marido foi diagnosticado com varicocele, que é um problema de espessamento das veias escrotais. Causa dor, e algumas vezes infertilidade. O porque desse espessamento causar problemas de fertilidade ainda não é muito claro, mas parece que veias maiores aumentam a temperatura escrotal, prejudicando a formação de espermatozóides. Afeta em geral, a morfologia (forma) e a motilidade (movimento) dos mesmos, mas pode afetar a quantidade, embora não haja uma associação direta com esse fator. No caso do meu marido, o espermograma concluiu astenoteratozoospermia (deficiência na motilidade e na forma) e foi sugerida a cirurgia.
Pensamos um pouco e ele decidiu fazer. A cirurgia foi tranquila, e a recuperação rápida. Hoje, já faz 2 meses que ele fez a cirurgia.

Estou feliz pois consegui marcar bem direitinho minha temperatura basal e sei dizer o dia que ovulei. Namoramos nos dias certos! uhu! Finalmente!

No entanto, sei que o ciclo de maturação espermática (tempo para serem amadurecidos e ficarem prontos para o trabalho) é de 75 dias. Portanto, as chances de termos conseguido são pequenas. Ainda não sabemos se a cirurgia deu resultado, e mesmo que dê, isso só vai ser visto 75 dias depois no mínimo. No entanto, fico feliz por termos feito nossa parte direitinho! É difícil ficar se culpando pelo fato de não conseguir ter filhos. Quando percebi que estava ovulando, então ficar jogando na loteria não me pareceu certo. Percebi que estávamos tendo relação nos dias errados. Agora, se não conseguirmos, foi porque ainda não estamos em plenas funções, mas não por desleixo!

Vem filhinho vem!

sábado, 14 de novembro de 2009

Infertilidade


Como a infertilidade está ligada à trajetória dessa minha busca constante dos porquês da vida. Escrevo o que já li, de livros que tenho em casa. Com isso tento colocar algum texto novo que não esteja ainda na internet. Meus comentários estão em roxo.

Definição

Contrariamente à nossa percepção, a incidência da infertilidade permaneceu relativamente à mesma ao longo das três últimas décadas. No entanto, a propedêutica e a terapêutica da infertilidade mudaram dramaticamente nesse período. Mas antes que nos aprofundemos no tema, é preciso relembrar alguns conceitos.

Segundo o Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine (ASRM), a infertilidade é uma doença. Ela define a ausência de gravidez após um ano de atividade sexual regular (duas a quatro vezes por semana), sem proteção contraceptiva.

A infertilidade pode ser, ainda, classificada em:

- Infertilidade Primária: representa a ausência de gestação prévia.

- Infertilidade Secundária: define a história de gestação prévia, mas não necessariamente com nascido vivo.

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Epidemiologia

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a infertilidade acomete 7 a 15% dos casais em idade reprodutiva E por esse motivo, que esse distúrbio é parte importante da prática clínica.

Vários fatores podem explicar esse fato, dentre os quais podemos citar:

- O adiamento do sonho da maternidade por diversos motivos.
- A maior divulgação e o maior acesso à informação em relação às terapêuticas disponíveis. (Os famosos "avanços da medicina", que tem suas limitações, principalmente quando a mãe já tem idade avançada, i. e. >35 anos)
- A Alta prevalescência de doenças sexualmente transmissíveis.

Por outro lado, diversos fatores foram associados à diminuição da fertilidade. Dentre elas destacam-se a situação socioeconômica e a idade da paciente. Fatores étnicos e raciais não parecem influir de forma significativa.
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Causas de Infertilidade

De acordo com Speroff, as causas de infertilidade podem ser divididas em:

- Fator masculino: 35%
- Fator Tuboperitoneal: 35%
- Disfunção ovulatória: 15%
- Infertilidade sem causa aparente: 10%
- Outros: 5%

Quando é considerada apenas a infertilidade feminina:

- Fator ovulatório: 40%
- Fator Tuboperitoneal: 40%
- Infertilidade sem causa aparente: 10%
- Causas variada: 10%
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Propedêutica da Infertilidade

Toda e qualquer investigação começa com uma anamnese detalhada. Ela deve conter dados sobre frequência das relações sexuais, história menstrual, história das gestações anteriores (caso existam), antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis ou de cirurgias sobre orgãos pélvicos e hábitos (uso de drogas lícitas e ilícitas, atividade física). Vale lembrar que quando a anamnese do homem sugere alguma anormalidade, este deve ser encaminhado a um urologista para avaliação adicional.

O exame físico minuncioso é fundamental. Ele deve incluir avaliação de peso, altura, biotipo, distribuição de pêlos, galactorréia, aferição de pressão arterial, palpação da tireóide e exame ginecológico completo.

Além dos exames complementares específicos, que serão abordados criteriosamente adiante, devem ser solicitadas sorologias para toxoplasmose, citomegalovírus, hepatite B, rubéola, herpes simples, HTLV e HIV.

Há muita discordância a respeito da propedêutica básica para invetigação do casal infértil. A literatura médica e os serviços especializados divergem em alguns aspectos, mas em linhas gerais devem ser realizadas em primeiro momento:

- Espermograma.
- Dosagens hormonais (DH) incluindo FSH e estradiol basais, prolactina, TSH, T4 livre, progesterona de segunda fase.
- Ultrasonografia transvaginal seriada (USG-TV).
- Histerossalpingografia (HSG)

continua nos próximos posts...

(texto extraído de Medcurso 2007 - Ginecologia - Volume III: Amnorréia, infertilidade, Síndrome dos Ovários Policísticos)