
Como a infertilidade está ligada à trajetória dessa minha busca constante dos porquês da vida. Escrevo o que já li, de livros que tenho em casa. Com isso tento colocar algum texto novo que não esteja ainda na internet. Meus comentários estão em roxo.
Definição
Contrariamente à nossa percepção, a incidência da infertilidade permaneceu relativamente à mesma ao longo das três últimas décadas. No entanto, a propedêutica e a terapêutica da infertilidade mudaram dramaticamente nesse período. Mas antes que nos aprofundemos no tema, é preciso relembrar alguns conceitos.
Segundo o Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine (ASRM), a infertilidade é uma doença. Ela define a ausência de gravidez após um ano de atividade sexual regular (duas a quatro vezes por semana), sem proteção contraceptiva.
A infertilidade pode ser, ainda, classificada em:
- Infertilidade Primária: representa a ausência de gestação prévia.
- Infertilidade Secundária: define a história de gestação prévia, mas não necessariamente com nascido vivo.
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Epidemiologia
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a infertilidade acomete 7 a 15% dos casais em idade reprodutiva E por esse motivo, que esse distúrbio é parte importante da prática clínica.
Vários fatores podem explicar esse fato, dentre os quais podemos citar:
- O adiamento do sonho da maternidade por diversos motivos.
- A maior divulgação e o maior acesso à informação em relação às terapêuticas disponíveis. (Os famosos "avanços da medicina", que tem suas limitações, principalmente quando a mãe já tem idade avançada, i. e. >35 anos)
- A Alta prevalescência de doenças sexualmente transmissíveis.
Por outro lado, diversos fatores foram associados à diminuição da fertilidade. Dentre elas destacam-se a situação socioeconômica e a idade da paciente. Fatores étnicos e raciais não parecem influir de forma significativa.
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Causas de Infertilidade
De acordo com Speroff, as causas de infertilidade podem ser divididas em:
- Fator masculino: 35%
- Fator Tuboperitoneal: 35%
- Disfunção ovulatória: 15%
- Infertilidade sem causa aparente: 10%
- Outros: 5%
Quando é considerada apenas a infertilidade feminina:
- Fator ovulatório: 40%
- Fator Tuboperitoneal: 40%
- Infertilidade sem causa aparente: 10%
- Causas variada: 10%
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Propedêutica da Infertilidade
Toda e qualquer investigação começa com uma anamnese detalhada. Ela deve conter dados sobre frequência das relações sexuais, história menstrual, história das gestações anteriores (caso existam), antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis ou de cirurgias sobre orgãos pélvicos e hábitos (uso de drogas lícitas e ilícitas, atividade física). Vale lembrar que quando a anamnese do homem sugere alguma anormalidade, este deve ser encaminhado a um urologista para avaliação adicional.
O exame físico minuncioso é fundamental. Ele deve incluir avaliação de peso, altura, biotipo, distribuição de pêlos, galactorréia, aferição de pressão arterial, palpação da tireóide e exame ginecológico completo.
Além dos exames complementares específicos, que serão abordados criteriosamente adiante, devem ser solicitadas sorologias para toxoplasmose, citomegalovírus, hepatite B, rubéola, herpes simples, HTLV e HIV.
Há muita discordância a respeito da propedêutica básica para invetigação do casal infértil. A literatura médica e os serviços especializados divergem em alguns aspectos, mas em linhas gerais devem ser realizadas em primeiro momento:
- Espermograma.
- Dosagens hormonais (DH) incluindo FSH e estradiol basais, prolactina, TSH, T4 livre, progesterona de segunda fase.
- Ultrasonografia transvaginal seriada (USG-TV).
- Histerossalpingografia (HSG)
continua nos próximos posts...
(texto extraído de Medcurso 2007 - Ginecologia - Volume III: Amnorréia, infertilidade, Síndrome dos Ovários Policísticos)